sexta-feira, 10 de abril de 2015

Efeitos perversos da crise chegam aos empregos


(Folha) Com a dispensa acelerada de trabalhadores e a maior procura por emprego, a taxa média de desemprego do país subiu para 7,4% no trimestre encerrado em fevereiro. Entre setembro e novembro --trimestre mais indicado para a comparação--, a taxa havia sido menor: 6,5%. O resultado divulgado nesta quinta (9) pelo IBGE é o maior desde o trimestre de março a maio de 2013, de 7,6%. Os dados são da Pnad Contínua, pesquisa nacional sobre mercado de trabalho em âmbito nacional, do IBGE.

Os cálculos seguem nova metodologia com resultados trimestrais apresentados mensalmente. Ou seja, a cada mês, é divulgada uma média do mês de referência junto com os dois meses imediatamente anteriores. Para uma leitura mais precisa, o IBGE recomenda a comparação do trimestre com o mesmo período de ano anterior ou com o encerrado antes do início desse período de três meses --no caso, novembro.

Desde meados do ano passado, a tendência era ou de estabilidade ou recuo da taxa de desemprego. Esse movimento foi interrompido em janeiro, diante do cenário econômico menos favorável, com juros mais altos, crédito restrito, consumo em desaceleração e, sobretudo, menor confiança de empresários. "Os dados mostram uma deterioração preocupante do mercado de trabalho, que tende a se agravar nos próximos meses", diz Gilberto Braga, economista do Ibmec.

A Rosenberg & Associados espera uma aceleração da taxa nos próximos meses, chegando a 7,8% em dezembro. O número de pessoas desempregadas subiu em 950 mil no trimestre terminado em fevereiro, com alta de 14,7% em relação aos três meses findos em novembro.

MAIOR OFERTA
A maior procura por trabalho, sem criação de novos postos, ajudou a elevar a taxa, segundo o IBGE.
O emprego caiu 0,4% em fevereiro na comparação com o trimestre encerrado em novembro, num momento de redução dos investimentos, do consumo e dos gastos do governo. "A taxa de desemprego vem em um crescente. De um lado, há mais gente à procura de trabalho. De outro, não foram criados empregos", disse Cimar Azeredo Pereira, coordenador do IBGE.

Um sinal da maior busca por uma colocação é o ingresso de 550 mil pessoas na força de trabalho, grupo que soma os empregados e os desocupados à procura de trabalho. O indicador subiu 0,6% ante o período de três meses encerrado em novembro.

Pereira afirmou, porém, que parte da alta da taxa de desemprego é explicada por um fator sazonal: a dispensa de trabalhadores temporários em janeiro e fevereiro. O rendimento médio dos trabalhadores subiu 1,3% em relação ao período encerrado em novembro. Na comparação com o trimestre terminado em fevereiro de 2014, houve alta de 1,9%.

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